11/01/2018

Balanço de 2017

Nunca fui muito afeito a publicar retrospectivas de ano, como contei aqui ao fazer o balanço de 2016. Igualmente venho evitando, mesmo privadamente, fazer "planejamento do ano". Em verdade, tenho metas de vida que independem de data - até porque se você for ver, amarrar metas a datas nem sempre faz muito sentido. Digamos que você se proponha a emagrecer 10 quilos em 2018. Se chegar 31 de dezembro e você perdeu 6, vai fazer o quê? Prosseguir no bom caminho, buscando completar os 4 que ainda faltam, ou abandonar a meta, apenas por ter chegado à "data-limite"? 

Pra mim, 2017 foi um ano bem diferente dos anteriores - em 2015 e 2016, viajei quase 22 mil km pelo Brasil. Já o ano passado teve uma divisão quase salomônica: passei o primeiro semestre em Belém e o segundo em Maceió (com uma ligeira "vantagem" para a capital de Alagoas, já que cheguei aqui em 29 de junho, tendo saído da capital do Pará dois dias antes, de ônibus - o que dá aproximadamente 2.100 km). Foi o primeiro ano desde 2010 em que não estive nenhuma vez em Macapá.


Cursos - Esta divisão do ano em partes iguais passadas em regiões diferentes não foi planejada para ser assim. Saí de Macapá ao final de 2016 pensando em ficar em Belém por pelo menos dois anos. O motivo principal foi meu interesse em fazer um curso de Comissário de Bordo. Ao mesmo tempo em que era uma tentativa (a última, espero!) de fazer algo sem ligação direta com Cultura, Arte e Comunicação, a possível-nova-carreira tinha sim sua ligação com Fotografia. Eu pensava nas possibilidades geradas pelo fato de ter uma escala mensal programada viajando pelo país, podendo usar as folgas para fazer fotos de paisagens, agendar ensaios etc. O curso de Comissário dura quatro meses, mas só consegui fazer o primeiro mês, por questões financeiras - além do curso em si, é necessário fazer uma série de exames, nem todos oferecidos pela rede pública de saúde. 

Além disso, parte do meu orçamento já estava comprometida com outra despesa relacionada a uma futura carreira aérea: o estudo de idiomas. Em janeiro, depois de uma vida como autodidata, fui estudar Espanhol em uma escola pela primeira vez. O teste de nivelamento encaminhou-me já para a etapa Avançada do curso, que comecei a fazer nas tardes de sábado ainda em janeiro; ao final do semestre, completei o curso. Já no Inglês, que eu não estudava formalmente há, talvez, 25 anos (!), o nivelamento me encaminhou para o nível Intermediário, o que significa(va) pelo menos mais dois anos e meio de estudo. Este fator, aliás, foi o principal para eu resolver não retomar o curso de Comissário - até ter a fluência que o mercado exige, já estaria com 48 anos, e sem experiência no ramo aéreo, e o que não faltam hoje no mercado são jovens com o curso e experiência, mandando muito bem no Inglês. Enfim, decidi abraçar de vez meu destino com a Cultura,  a Arte e a Comunicação, tudo que eu sempre fiz que deu certo estava ligado a pelo menos uma destas áreas. 

Minhas aulas de Inglês começaram em abril, aos sábados pela manhã. Consegui encarar dois meses de aulas o sábado inteiro; ao final de maio, optei por sair do Inglês, tanto por incompatibilidade com o programa lecionado quanto por questões administrativas com a escola. Mesmo não almejando mais ser comissário, lógico que vale a pena seguir com o Inglês (fotografar modelos internacionais é um dos meus planos a médio prazo), e opções de onde estudar não faltam. De modo que a vinda a Alagoas, pensada inicialmente apenas para o mês de julho (quando Belém literalmente pára), se transformou em uma mudança, sendo a primeira vez que moro fora da Região Norte nos últimos 7 anos. Por ora, a ideia é ficar aqui até final de maio, pelo menos. 

Rede - 2017 foi o ano em que pela primeira vez encomendei impressos para divulgar meu trabalho como fotógrafo, tanto em Belém quanto em Maceió. A rigor a estratégia em si não funcionou - no sentido de alguém que nunca ouviu falar de mim ver o cartão, me telefonar e me contratar ou ao menos marcar uma reunião. Os ensaios que fiz nas duas cidades foram encomendas de amigos ou acertadas a partir de contatos nas redes sociais (novamente com a liderança do Facebook). 

Foi também o ano em que criei uma rede de representantes que se destinava a captar clientes de ensaio para mim em outros estados. Contei com cinco pessoas fazendo isto, no Amapá, Mato Grosso, Rondônia (capital e interior) e Tocantins, de maio a setembro. Embora a rede não tenha gerado contratações, não abandonei a ideia: pretendo relançá-la este ano, com algumas modificações.



Editais - Um setor no qual posso dizer que as coisas vão bem é em relação a editais. A maior alegria neste campo foi a premiação que recebi no Edital Pauta Livre da Fundação Cultural do Pará, levando a exposição e a mostra de curtas As Tias do Marabaixo para a Galeria Theodoro Braga (Belém), durante um mês (março-abril) - o maior evento já dedicado a meu trabalho. Durante esse período, o cine Líbero Luxardo, também de Belém, exibiu um vídeo-convite da exposição, editado por mim. Ainda por edital, fui selecionado para expor fotos em Macapá e Florianópolis (abril).  

Já na área de Cinema, tive dois filmes selecionados para exibição em festivais: Tia Biló na MILC - Mostra Itinerante Livre de Cinema: Perspectivas Periféricas (Fortaleza, julho) e Visitando os Tukano-Dessana no Cine Tamoio (São Gonçalo, RJ, setembro). Este último curta foi finalizado em abril, a partir de material captado em novembro de 2015 no Amazonas, e está sendo mantido inédito na internet porque decidi priorizar a "janela" dos festivais (o período de 1 a 2 anos em que os festivais aceitam a inscrição de um filme), e alguns deles pedem ineditismo total, inclusive na internet.

O mais estranho em relação a editais foram três vezes em que "ganhei mas não levei". Uma foi de um edital ainda de 2016, mas para ser executado em 2017 - a 1ª Chamada Pública da Casa de Cultura Mario Quintana (Porto Alegre). Tive aprovada a exibição dos cinco curtas da série As Tias do Marabaixo. A CCMQ entrou em contato comigo por e-mail em 4 de janeiro, solicitando um telefone de prefixo 51 com o qual pudesse me contatar (o que é beeeem estranho, já que o edital era nacional). Respondi que eu mesmo poderia ligar, bastando eles me informarem um telefone. Não houve resposta; acabei pegando um número do site mesmo e liguei na semana seguinte; soube então que o responsável pelo edital estava de férias (o que não significa necessariamente que o edital deveria parar, não é?). Deixei recado para entrarem em contato, por e-mail que fosse, o que não aconteceu.

Outro caso no estilo foi o edital nacional de ocupação da Galeria Trapiche Santo Ângelo, de São Luís, para o qual propus uma exposição inédita com fotos da Lagoa da Jansen. Aqui os organizadores nem chegaram a me informar que eu fôra selecionado, eu é que descobri garimpando pela internet, em março, já um mês depois do anúncio do resultado. Houve alguma troca de e-mails pensando numa data para a mostra, mas isto não chegou a ficar resolvido até que a comunicação foi interrompida, ainda em março. De modo que eu achei arriscado preparar o material para expor em São Luís sem saber se a exposição iria acontecer, como de fato não ocorreu.

Enfim, lição aprendida: estou descartando os editais em que cabe ao artista uma série de gastos (impressão das fotos, confecção de moldura, transporte das obras, viagem para o local da exposição, eventualmente coquetel na noite de abertura etc), sem uma contrapartida financeira da instituição, e priorizando a inscrição em editais que ofereçam premiação em dinheiro para as exposições selecionadas.

Algo semelhante aconteceu com relação à Oficina de Cinema Independente, selecionada para a  Semana da Diversidade de Ouro Preto e Mariana, que aconteceu nessas cidades mineiras em novembro. Fui comunicado da seleção no final de outubro, porém posteriormente a organização do evento não fez nenhum outro contato. 

Resumo da ópera: fui selecionado em sete editais este ano. O resultado: três exposições, duas exibições de filmes em festivais e dois "vácuos". Só para comparar, em 2016 obtive duas seleções (a da CCMQ e da Mostra Cine Redemoinho, em Angra dos Reis), mas só comecei a me inscrever em editais a partir de setembro. 

Saldo final - Também tive fotos publicadas em jornais e sites de Macapá e Belém, no primeiro semestre, a maior parte em função de estar com a exposição d'As Tias na capital paraense. Fotos minhas também foram utilizadas para divulgação de shows em Macapá e Belém no primeiro semestre.

Um avanço foi a conclusão da edição do livro As Tias do Marabaixo, que desde novembro está com design pronto para a impressão; desde então, tenho inscrito o projeto em editais visando publicá-lo.

Quase ao final do ano, em novembro, resolvi investir na venda de fotos através de banco de imagens. Tive minha primeira foto aprovada para venda pelo Adobe Stock em 21 de dezembro, e desde então já tive meu trabalho aceito por mais 11 sites. Vários outros estão ainda analisando meu material (um deles, inclusive, está fazendo isso há quase dois meses!). Outra coisa que me permiti fazer, também no finalzinho de '17, foi legendar pela primeira vez um curta meu em Espanhol (olhaí como o curso já está demonstrando sua utilidade!); fiz isto para inscrever Tia Zezé no Encontro dos Tambores em um festival internacional. 

Considero o saldo do ano positivo, com excelentes realizações. Em relação aos problemas acontecidos, já identifiquei o que fazer visando um resultado melhor em 2018. E vamo que vamo! 


Fotos inéditas feitas em Maceió 
no segundo semestre de 2017


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