31.7.17

A Semana nº 36

  • Na quarta, 26, publiquei no Jornalismo Cultural o artigo Estátuas de Léo Santana em Maceió, mixando dois textos saídos antes aqui, na seção "Belezas Culturais": Estátua de Graciliano Ramos, publicado em 3 de julho, e Estátuas de Léo Santana em Maceió, do dia 17. 
  • Aliás, na sexta, 28, ao passar pela estátua do Graciliano, fiquei feliz ao constatar que foi colocada uma placa de identificação do homenageado, o que eu sugerira aliás no texto do dia 3. A foto da novidade foi incorporada aos textos já publicados. 


  • Na quinta, 27, meu curta Tia Biló encerrou a programação do segundo dia da MILC - Mostra Itinerante Livre de Cinema: Perspectivas Periféricas, no bairro Barra do Ceará, em Fortaleza - trata-se do bairro mais antigo da capital cearense. O coletivo Entre Olhos, promotor do evento, classificou o curta como "vídeo-livre" no cartaz com a programação deste dia - cartaz em que pela primeira vez aparece a sigla de Alagoas ao lado do meu nome, já que a inscrição foi feita pela internet quando eu já me encontrava em Maceió. É a segunda vez que um curta meu é selecionado para exibição em uma mostra de cinema através de edital.  


  • E hoje, segunda, 31, entrou no ar minha coluna de julho no Digestivo Cultural, com o artigo A fotografia é um produto ou um serviço?. Trata-se de uma adaptação do textão "Fotografia é produto ou serviço?", publicado aqui em 13 de julho. 

30.7.17

Aniversário da Revista Ponto M

Ontem cobri meu primeiro evento de moda aqui em Maceió: o aniversário de um ano da revista Ponto M. Foi a maior reunião de blogueiras já acontecida na capital alagoana. Abaixo, vemos todas elas felizes com seu exemplar da edição comemorativa. 




A revista é uma iniciativa da jornalista e fotógrafa Mary Camata, que a criou ainda quando morava em Ji-Paraná (RO); há poucos meses, Mary veio morar em Maceió, por acreditar no potencial da cidade para seu campo de atuação.



Ao longo dos seus primeiros 4 números, Ponto M se consolidou como a única revista do Brasil feita unicamente por blogueiras e distribuída gratuitamente. Agora, ao completar um ano, a publicação agrega a suas páginas a opinião de youtubers e influencers, e lança seu programa de assinaturas, facilitando sua difusão para outros estados do país. Na foto acima, vemos todas as capas da revista, dispostas num espelho do Salão Cícera Cabeleireira, parceiro da revista e que sediou o evento de ontem. 

Outra parceria que a revista comemora é com a Bio Extratus, que aproveitou a inédita reunião de blogueiras alagoanas para lhes apresentar a nova linha de cosméticos naturais Força com Pimenta. Ao lado vemos a representante local da Bio Extratus, Ana Paula Benaton Gomes, falando sobre a novidade.

Também apoiaram a revista no evento: Ikesaki, Studio Lousanne Azevedo e pizzaria Santo Orégano. 

Destaco a seguir algumas presenças que abrilhantaram a festa. Tem mais foto no Instagram @fabiogomes.fotocinema!


Mary Camata, editora da revista


Clara Teixeira, blogueira do @clarateixeiraa e modelo

Caroline Teixeira, do @TopissimoBlog 


Cleia Santos, do @NascideCachos


Andrezza Alves, blogueira do @blogqueridoespelho e modelo


Rizia Cerqueira, estudante de jornalismo e modelo

29.7.17

Coisas do Mundo: Milho no copo

Ano passado, estive um mês e meio em Maceió, e de todas as iguarias que pude provar, creio que há duas que se podem dizer ser tipicamente alagoanas: o sururu (que inclusive era o prato preferido do ator Paulo Gracindo) e o milho no copo (nesse post há uma foto que fiz com o celular em julho de 2016). Este de fato foi o que mais me surpreendeu. É tão simples e prático que é espantoso não se ter adotado esse sistema em outros lugares. 

A preferência dos moradores pelo milho no copo é inegável: no final da tarde, há barraquinhas de milho por todo o canto, seja na praia, seja nos bairros, e raras pessoas comem o milho diretamente na espiga (o que também é ótimo!); os turistas que aqui chegam às vezes estranham um pouco no início, mas logo aderem. Creio que uma grande vantagem é que deste modo você não lambuza suas mãos com a manteiga, nem fica com sal na mão. 

Fiz esta foto com a Nikon S3500 no último dia 9, junto a uma barraca em frente da praia da Pajuçara. 




A bem da verdade, não vejo os alagoanos reivindicando a "autoria" da ideia de comer milho no copo, mas de fato nunca vi comer assim fora daqui, o milho vem sempre na espiga. 

  • Fora do Brasil - Pesquisando no Google na noite da sexta para escrever este post, eis que deparo com esta publicação do blog Cozinha Turca, de 2008, onde Lídia Lopes, que deduzo ser uma brasileira morando na Turquia, descreve o milho no copo como "uma [sic] fast-food que surgiu recentemente na Turquia". Acompanhando o milho, além da manteiga usada em Maceió, há uma profusão de ingredientes, que vai de maionese e azeite até molho de alho e xarope de romã! Será um caso de dois povos distantes terem tido a mesma ideia, ou haverá alguma conexão Alagoas-Turquia que desconheço? 


28.7.17

Belezas Naturais: Pôr-do-Sol na Baía do Guajará

Ainda no embalo das fotos selecionadas para ilustrar o textão de ontem, orgulhosamente apresenta esta foto do pôr-do-sol sobre a Baía do Guajará, visto a partir da Estação das Docas, em Belém, no dia 15 de junho. 

Eu particularmente gosto quando consigo captar os raios de sol na foto, como podemos ver quase no centro da parte superior, um pouquinho à esquerda. Discretamente. 





Diferentemente das fotos do post de ontem, que não tiveram edição alguma, hoje apliquei um filtro Theater do Fotor, sem efeitos, só para destacar um pouco melhor os raios de sol. 


27.7.17

A difícil arte de se divulgar (2)

Encerrei o textão da quinta passada prometendo falar hoje de como tenho feito a divulgação de meus serviços fotográficos fora do âmbito da internet, já que aquele texto tratava especificamente da divulgação online. 

Nesse capítulo minha experiência já é menos vasta, já que só muito recentemente passei a divulgar meu trabalho como fotógrafo. Quando iniciei, em Bento Gonçalves-RS, nos anos 1990, eu atendia a um nicho de mercado bem específico: concursos de rainhas de estudantes. A temporada de concursos durava poucos meses (se lembro bem, em geral no terceiro trimestre de cada ano), mas garantia na época uma bela complementação de renda ao meu trabalho em jornais e na rádio local. Quando mudei para Porto Alegre, em 1994, me voltei mais para fazer fotos para meu acervo e eventuais participações em concursos e exposições, de modo que não havia o que divulgar.

A primeira vez que fiz cartões de visita foi por volta de 1999/2000, quando investi no trabalho como cartunista. A internet ainda engatinhava no Brasil e para mostrar meu portfólio às agências de propaganda (o meu público-alvo da vez), um cartão era indispensável. Para situar como a coisa mudou, eu precisava ficar atento à chamada 'dança das cadeiras' das agências: toda vez que mudasse a pessoa responsável pela relação com os fornecedores (no caso, eu me candidatava a ser um 'fornecedor de cartuns' - risos), lá ia novamente visitar a agência (salvo se fosse alguém que já conhecesse o meu trabalho, quando então um simples telefonema era o suficiente) para mostrar de novo meu portfólio e, ao final, entregar meu humilde cartãozinho. Hoje uma conta no Instagram substitui com vantagens toda essa operação, que no final não resultou em nada. O máximo que consegui foi que uma revista de Porto Alegre adquirisse os direitos de publicação de um cartum meu. Fui pago, mas até onde sei a revista saiu de circulação sem publicar o desenho. 



Pouco tempo depois, a partir de 2002, quando lancei o site Brasileirinho, encomendei flyers de divulgação do site. O foco ali era obter acessos à página, na intenção de que, com bons números, eu conseguisse atrair anunciantes - e nesse ponto os recentes contatos com as agências de publicidade eram interessantes, ou ao menos eu entendia assim, pois não cheguei a ter um anúncio sequer ao longo dos 14 anos que o site ficou no ar. Mas consegui sim ter um anúncio no próprio flyer - o de um músico que oferecia aulas de violino. O anúncio ocupava as costas do flyer, que originalmente ficava em branco. 

O anúncio do músico entrava só no lote de flyers que eu distribuía em Porto Alegre. Pelo correio, enviei flyers para amigos que os distribuíam em festas em outros estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Tocantins. Creio que tenha parado de fazer o flyer ali por 2005 ou 2006. 


Só recentemente voltei a imprimir material de divulgação, pela primeira vez então do meu trabalho com fotografia. Foi um flyer no formato de uma foto impressa (10x15cm), com imagens de algumas modelos que fotografei, e focado unicamente na venda de pacotes de ensaios fotográficos. O material foi distribuído em Belém entre fevereiro e maio deste ano. Uma parte deixei em estabelecimentos comerciais com grande circulação de pessoas (restaurantes, lojas, cafés, óticas etc.), outra parte eu mesmo entregava a possíveis interessados ou ainda a amigos que pudessem distribuir. Na época que elaborei o flyer, cheguei a comentar com amigos que estava pela primeira vez buscando "expandir o nicho"; o fato é que, por mais que coloquemos nossas postagens em modo 'público' nas redes sociais, o mais das vezes quem as lê é sempre o mesmo pequeno grupo de amigos que curtem e comentam nossos posts. Por isso entendo que é fundamental investir em ações fora da internet, que permitam que meu trabalho possa vir a ser conhecido por gente que até aqui nunca ouviu falar de mim.

Bueno, o flyer novamente não trouxe o resultado esperado - em português claro, ninguém olhou meu número no flyer e pegou o telefone para me encomendar um ensaio. Os trabalhos pagos que fiz durante o primeiro semestre em Belém vieram do que chamo "abordagens diretas": foram encomendados ou por pessoas que já me conheciam, ou que visitaram a exposição As Tias do Marabaixo no Centur ou que me viram fotografando em algum lugar público. Nesses casos o flyer cumpriu a função de cartão de visita, servindo para que a pessoa soubesse como entrar em contato comigo (à exceção dos meus amigos, é claro, que já sabiam como fazê-lo :).



Tendo chegado a Maceió há pouco menos de um mês, me pareceu interessante voltar a trabalhar com cartões de visita, após mais de quinze anos da última experiência com esta mídia. Por um lado, ninguém me conhece na cidade, diferentemente do que ocorria em Belém. Por outro lado, cartões são uma opção mais econômica que um flyer - fora que percebi que as pessoas não sabiam bem o que fazer com o flyer quando o pegavam e acabavam dobrando-o para caber no bolso ou na carteira. Não posso avaliar ainda esta experiência em Alagoas, porque meu cartão ainda não ficou pronto; encomendei-o há quase duas semanas, porém ninguém confecciona cartões em Maceió, todas as encomendas são impressas no Recife (!). 



Resumindo a ópera: relatei três casos (cartão de visita em P.Alegre, flyer em P.Alegre e Belém) que, a rigor, não deram o resultado esperado. O que me anima então a voltar a usar este recurso em Maceió? Duas coisas, basicamente. A primeira, como já mencionei, é que aqui sou um desconhecido no mercado; um cartão é uma forma bem econômica de ter minha mensagem circulando. A segunda é que aprendi com um erro que cometi em Belém, e que foi a de imaginar que apenas colocando meu flyer em locais de grande circulação de pessoas isto automaticamente geraria encomendas de ensaios. 

A constatação desse erro não se deu agora, aqui em Maceió; ainda no Pará entendi ser necessário ter outras pessoas prospectando clientes para mim, seja na cidade onde eu estiver, seja em outros locais - o que me levou a criar uma rede de representantes (veja aqui como funciona e como se candidatar a trabalhar comigo). Até agora a rede não gerou nenhum contrato diretamente, mas com certeza já ajudou a tornar meu trabalho conhecido junto a pessoas que até ali nem desconfiavam da minha existência. Numa perspectiva de médio a longo prazo, me parece que a criação desta rede trará bons frutos. 

Outra solução para o problema eu estou aguardando ter o cartão em mãos para colocar em prática: além de deixar os cartões em pontos de grande circulação de pessoas, irei procurar diretamente empresas apresentando meu trabalho e propondo parcerias - e não descarto até mesmo me oferecer para fotografar turistas, com os celulares deles, em locais turísticos, e ao final entregando o meu cartão. Se a pessoa tiver interesse em mais fotos, saberá como me encontrar, e eventualmente poderá falar de mim para mais alguém (por isso, estou pensando até em sempre entregar dois cartões, e não apenas um!); se a pessoa não tiver interesse, ao menos fui gentil fazendo uma foto dela, sem custo algum para mim. Claro que o objetivo de um trabalho é ganhar dinheiro, o que afinal é necessário para a nossa sobrevivência, porém ser gentil não custa nada e ajuda a tornar o mundo melhor. 




* Fotos feitas na Estação das Docas - Belém, 15.6.17

26.7.17

Belezas Culturais: Busto de Lima Barreto

Foi na minha rápida passagem pelo Rio de Janeiro em setembro de 2013 que fotografei este busto em homenagem ao escritor Lima Barreto (1881-1922), que publico aqui no dia que inicia a edição deste ano da Festa Literária de Paraty (Flip), que vai de hoje a domingo e o tem como escritor homenageado. 

O busto é de autoria do escultor carioca Edgar Duvivier e foi inaugurado em 12 de março de 2011, no ano do 130º aniversário do escritor. A escultura, de apenas 60cm de altura, se localiza na Rua do Lavradio, centro do Rio, em frente ao número 126, nas proximidades dos Arcos da Lapa, e perto de uma antiga residência do homenageado. É o segundo busto de Lima no Rio - o primeiro existe desde 1935 na Ilha do Governador, onde ele passou a infância. 

Lima Barreto definia sua literatura como 'militante'; nela, em romances como Triste Fim de Policarpo Quaresma (1911) e Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909) e contos como O homem que sabia javanês (1911), Lima denunciava a hipocrisia reinante na elite brasileira, com os poderosos se apoiando no racismo, na exploração dos mais pobres e usando uma rede de favores para se manter no poder. Seus escritos punham em local de destaque os pobres, os boêmios e os arruinados. Sua prosa, livre das frases rebuscadas comuns na literatura do começo do século, influenciou os modernistas da Semana de 1922.


23.7.17

Ensaio de julho: Suelen Leão



A modelo Suelen Leão, de Macapá, é certamente a pessoa que eu mais fotografei até hoje. Ela inclusive foi a primeira Modelo da Semana deste blog, em junho do ano passado, e estrela do Ensaio de Outubro. Sou muito grato a ela, que foi a primeira modelo a acreditar em mim, quando eu estava começando a trabalhar nesta área - anteriormente, fotografava apenas shows e natureza.

Estas fotos são da última sessão que fizemos, em 28 de maio de 2015. Um dia que eu antecipadamente já classificava como sendo de cinema, porque pela manhã havia marcado uma filmagem com Suelen e com a poeta Mary Paes, na praça Floriano Peixoto, que se destinava a um novo projeto, com o título provisório de Poesia.Br: minha ideia era aproveitar a viagem que eu faria por vários estados do Brasil a partir de junho para gravar uma série de curtas com poetas declamando seus versos; entre um poema e outro, a ideia era inserir imagens de modelos em paisagens da cidade de cada poeta. Infelizmente o projeto empacou já na saída, pois foi exatamente neste dia que minha câmera Canon apresentou o problema que me levou a passá-la adiante meses depois: você clicava para fotografar ou filmar, e ela nem sempre executava a ação. Mesmo assim, ainda consegui neste dia fazer algumas das fotos que vemos neste ensaio. Dias depois, ela pararia completamente de responder. Desse modo, acabei não procurando outros poetas ou modelos durante a viagem e o projeto acabou descartado. Mas não foi só por causa desse projeto que o dia foi de cinema: na tarde desse mesmo dia 28, gravei com a equipe da Graphite Comunicação o depoimento de Tia Zezé para o documentário As Tias do Marabaixo. Nesta gravação, felizmente, não se registrou problema técnico algum =) 




















Os ensaios anteriores que fiz com Suelen eram todos voltados para a divulgação das camisas "Som do Norte", cuja comercialização encerrei em meados de 2015. Este ensaio então acabou sendo o único "neutro", em que a modelo veste peças de seu acervo pessoal, sendo portanto a melhor escolha para este post que comemora o 13º mês no ar deste blog. 

Nestes dois anos, apenas poucas fotos deste ensaio já haviam sido divulgadas - duas delas inclusive aqui no blog: uma ilustrando o artigo Especialista em generalidades e outra no post com as nossas selfies (uma tradição a cada sessão que fazíamos). Algumas (poucas) outras chegaram a ser publicadas pela modelo ou por mim no Facebook. Mas, a rigor, temos aqui um ensaio inédito. 



Na foto acima, aparece - irreconhecível  - o muro que motivou o já citado Ensaio de Outubro. A pintura de Carla Antunes foi apagada poucos dias após fazermos as fotos; o que vemos na foto acima já é um grafite posterior (que por sua vez foi apagado mais adiante... sobre esta ciranda, ver o artigo Em defesa da arte urbana nos muros). 














Nesta foto, uma variação da que ilustra este artigo, aparece uma frase que me remete a duas lembranças muito agradáveis. Primeiramente, "sucesso" é um mantra que costumo postar com alguma frequência em meu Facebook pessoal (a tal ponto que utilizo a palavra "Sucesso" no campo destinado a apelidos, logo abaixo do meu nome, naquela rede social). A segunda é por se tratar de um verso da canção "Manequim", de Michael Sullivan e Paulo Massadas, que fez parte da trilha sonora da novela Ti-ti-ti (TV Globo, 1985-86) e que foi um dos maiores sucessos populares da fase comercial da carreira de Ney Matogrosso (ouça aqui). 


  • Veja o ensaio (com uma foto-bônus) no YouTube:



22.7.17

Coisas do Mundo: Guarda-sol ou pára-vento?



Caminhando na orla de Maceió é comum ver esse uso, digamos, criativo dos guardas-sóis. Muitos banhistas mudam a posição do guarda-sol para se proteger dos fortes ventos vindos da direção do mar. 

Fiz esta foto na praia da Pajuçara em 4 de julho, pouco depois do meio-dia. 


21.7.17

Belezas Naturais: Coqueiros inclinados



Quem anda pela orla de Maceió encontra inúmeros exemplos de como, de um modo geral, a vegetação se inclina para o leste (o lado do mar). Desconheço o motivo (há quem fale da ação do vento).

De todo modo, seja por qual razão tenha acontecido, devemos reconhecer que o fenômeno ajudou a gerar conjuntos impactantes visualmente como o destes coqueiros à beira-mar na Ponta Verde, que fotografei em 4 de julho deste ano. 


20.7.17

A difícil arte de se divulgar

No textão da semana passada, eu perguntava se fotografia é produto ou serviço (spoiler pra quem não leu: é serviço). A forma correta de se divulgar este serviço é um tema de constantes debates nos fóruns de fotografia internet afora, como o excelente Mundo Fotográfico



Quando se trata de divulgação de produto, a questão se torna um pouco mais fácil porque a compra de um produto, no fundo, é um contrato de adesão. O artista oferece ao público um produto (seja ele um livro, um CD, um quadro...) e cada um decide se compra ou não. Como o que é oferecido não varia, torna-se simples e barato massificar a divulgação do produto pela internet ou mesmo para a imprensa (trabalhei desta forma como assessor de imprensa na área cultural divulgando projetos alheios de 2006 até 2015, quando então voltei a divulgar apenas iniciativas de minha autoria). Mas a imprensa não acolhe a divulgação de prestação de serviços. 

Digamos que eu chegasse a Maceió para lançar um novo livro. A imprensa certamente publicaria notas sobre a noite de autógrafos e, quase com certeza, sobre a posterior venda dos exemplares e até de páginas na web ligadas à obra. Mas veículo algum noticiaria que o fotógrafo Fulano de Tal se encontra na cidade e está disponível para contratação (salvo se o Fulano seja uma grande celebridade, caso inclusive que nem necessitaria da divulgação via imprensa). Se um profissional, que não seja uma grande celebridade, buscar "cavar uma notinha" (como se diz no meio) para divulgar sua oferta de serviços, certamente ouvirá que o mais adequado seria publicar um anúncio no jornal...



Porém, anunciar em jornal impresso costuma ser caro e nem sempre traz os resultados esperados. Como garantir que eventuais interessados em lhe contratar vão comprar o jornal  daquele dia específico, e vão ler exatamente a página onde estiver seu anúncio? Mesmo que leia, se a pessoa não guardar o exemplar, ou mesmo aquela página, não vai conseguir localizar sua propaganda passados já alguns dias (edições online de jornais costumam omitir os anúncios). 

Em função disso, vem crescendo o uso da internet para divulgação do trabalho de fotógrafos (e de outras profissões, é claro). Mas quais são as melhores ferramentas para isto? Aí vem a famosa resposta: depende

Nos debates nos fóruns online, há quem diga que apenas com o Instagram consegue ter um bom público e, principalmente, um bom volume de encomendas. Outros recomendam o uso de várias plataformas. Quase ninguém, com exceção de mim, destaca a necessidade do uso de outros modos de divulgação, fora da internet.



Vou listar a seguir as ferramentas que eu uso, comentando os resultados que venho obtendo (ou não obtendo - risos) com cada uma.

  • Facebook - Minha fan page FabioGomes FotoCinema completou ontem 2 anos no ar. Ela serve basicamente como um mostruário do trabalho, já que permite a criação de álbuns, algo impossível nas outras plataformas que uso. Geralmente eu posto por lá links dos posts deste blog e eventualmente de outras publicações minhas ligadas a meu trabalho com a imagem, além de compartilhar fotos que eu publique em meu Facebook pessoal. Este, aliás, continua sendo o maior gerador de encomendas para mim, principalmente por meio do bate-papo. Infelizmente o Facebook abandonou um sistema que usava há algum tempo de permitir alternar identidades; você podia se conectar pela conta pessoal e depois alternar para a identidade de uma página que você administrasse. Desta forma eu poderia, então, chamar alguém no chat e apareceria para a pessoa "FabioGomes FotoCinema". Como essa alternância foi descartada pelo Facebook, ou o internauta inicia a troca de mensagens na minha página, ou sempre que eu chamar alguém será via conta pessoal (uma mistura entre o pessoal e o profissional que parece mentira ter sido pensada por norte-americanos). Outra coisa inexplicável é a separação que o Face fez, não sei quando nem por quê, entre ter uma conta no site e usar o Messenger; não consigo conversar no bate-papo com vários contatos meus, potenciais clientes, porque eles não têm, ou tinham mas desinstalaram... o Messenger. Mas, enfim, somando tudo é inegável que é do Facebook que vem quase a totalidade do tráfego do meu blog, e a maioria dos meus negócios fechados online. 

  • Blog - Tenho esse blog desde 2016 - próximo domingo a página completa 1 ano e 1 mês no ar. A grande vantagem é a liberdade que tenho de publicar o que quiser (as redes sociais costumam ter um código bem moralista do que pode ser postado), do tamanho que eu preferir, e organizado como preferir (um post como este, com texto e fotos se alternando, seria impossível no Facebook). A audiência já foi maior, e o blog ainda não tem gerado negócios diretamente, mas eu não pararia de fazê-lo, devido à liberdade editorial que já mencionei. De todos os espaços online comentados no post, pode-se dizer que este é o espaço que eu considero mais "meu". 

  • Instagram - A grande vantagem do Instagram é priorizar as imagens. Quem acessa o seu mural tem já de cara uma boa amostra do seu trabalho. Isto não chega a ser uma novidade; outros serviços que já usei e abandonei (ex: Pinterest, Flickr) funcionam assim, porém, ao contrário destes, que são usados basicamente por fotógrafos e designers, o Instagram é muito mais plural: praticamente todo mundo está lá! Através do "Insta", até agora, me chegaram algumas propostas de parceria, não contratos; porém recebo em meu blog algum tráfego gerado pelo Instagram. Mas de todo modo eu também não sairia do "Insta", pois é de longe o espaço onde atinjo mais gente, do mundo todo! A desvantagem que tenho é, espero, passageira: uso o Instagram pelo notebook, através do programa InstaPic, cuja última atualização simplesmente me impediu de usar o Direct (o link para o serviço está lá, mas não consigo ver as mensagens que recebo ou que eu mandar - sim, o negócio tá tão louco que eu consigo mandar mensagens, mas não as vejo, nem suas respostas!). 

  • Twitter - De uns meses pra cá, quando publico links dos posts do blog ou do Instagram no Twiter, tenho incluído a imagem original, o que tem pelo menos deixado meu mural mais colorido (risos), mas quase sempre sem curtida alguma. O Twitter até gera algum tráfego pro blog, porém sua participação no quesito "gerar negócios" é nula. 

  • Site - Registrei, ainda ano passado, o domínio fabiogomesfotocinema.com.br. A principal vantagem hoje é que ele é mais fácil de divulgar que o endereço do blog ou o da fan page. Mas ainda não parei para desenvolver a página propriamente dita, por isso se você clicar no link será redirecionado para o blog. Realmente preciso resolver esta questão.

Sobre as ferramentas offline, falamos na próxima quinta, combinado?
  • Atualização 27.7.17: Leia aqui a segunda parte do texto



* Fotos feitas na Praia da Ponta Verde, Maceió, em 12.7.17; 
a imagem final, no mesmo local, em 10.7.17


17.7.17

Belezas Culturais: Estátuas de Léo Santana em Maceió

No dia 3, publicamos aqui fotos de uma das duas esculturas de Léo Santana existentes então na orla de Maceió - a que homenageia Graciliano Ramos. Eis que para minha surpresa, desde a semana passada as obras do escultor mineiro localizadas à beira-mar aqui na capital de Alagoas agora são três! Sim. Além da que reverencia Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, desde a sexta, 14, há uma escultura do ator Paulo Gracindo. Vamos a elas.

A estátua de Aurélio Buarque foi inaugurada em 30 de novembro de 2015, poucos minutos depois da da estátua do Graciliano. De todas as três, é a mais propícia a selfies, pois apresenta o escritor sentado num banco de pedra junto à praia da Ponta Verde, próximo de onde ele costumava dar seu mergulho no tempo em que morou em Maceió.

Aurélio Buarque residiu na capital de Alagoas em vários períodos. Primeiro, a partir de 1923, quando, aos 13 anos, veio de Passo de Camaragibe, onde nasceu, para estudar... e ensinar: aos 14 anos já dava aulas de Português. Saiu de Maceió para estudar Direito no Recife, onde se formou em 1936, retornando para lecionar Português, Francês e Literatura no Colégio Estadual de Alagoas até 1938, quando se transferiu para o Rio de Janeiro. Depois de colaborar com diversos dicionários desde 1941, lançou o seu dicionário, considerado modelo da língua portuguesa falada no Brasil, em 1975. Eu mesmo cheguei a ter duas versões do dicionário: uma edição de bolso, apelidada Aurelinho, e o Dicionário Aurélio Infantil da Língua Portuguesa, ilustrado por Ziraldo e lançado em 1989. 



Foto de 2.7.17


Nesta foto ao lado, que fiz no dia 4, pode-se notar uma falha no óculos que Aurélio segura junto ao dicionário que leva seu nome. O mesmo problema que sofre outra estátua de Léo Santana, a de Carlos Drummond de Andrade, no Rio de Janeiro: periodicamente os óculos da escultura são furtados ou danificados e precisam ser substituídos. 

A estátua de Paulo Gracindo foi inaugurada na sexta, 14, com a presença de seu filho, Gracindo Júnior, e vários outros familiares, na praia da Pajuçara, próximo ao local onde ficava a casa de sua mãe. Embora tenha nascido no Rio de Janeiro em 16 de julho de 1911, Paulo Gracindo se considerava alagoano, pois toda sua família era daqui e ele chegou a Maceió com poucos dias de nascido para só sair aos 20 anos, para ser ator no Rio de Janeiro, onde atuou em rádio, cinema e TV até falecer em 1995. Foi em Maceió que teve seus primeiros contatos com o teatro amador. E ele sempre se sentiu ligado a Alagoas; em cena do documentário Paulo Gracindo – O Bem Amado, dirigido por Gracindo Jr. em 2007, perguntado sobre qual seu prato favorito, o veterano ator responde de imediato: "Sururu". 




Nesta foto, que fiz no sábado, 15, vemos que esta escultura tem, junto aos pés da estátua, uma placa com o nome do homenageado, o que, como falei no post sobre a estátua de Graciliano Ramos, não é usual em obras do estilo. De todo modo, já que foi aberto este precedente, renovo a sugestão para a prefeitura de Maceió colocar uma placa identificando Graciliano Ramos, pois muita gente passa por ali e não tem ideia de quem seja o homenageado. 

  • Atualização 28.7.17 - Hoje, ao passar novamente pela estátua do Graciliano, reparei que foi colocada a placa que o identifica. 



  • Atualização 2.8.17: Hoje vi que também foi colocada a placa identificando Aurélio Buarque de Holanda. 

15.7.17

Coisas do Mundo: Alegria na Bahia


Esta é uma foto da minha longa temporada baiana de 2015, que durou três meses. Foi em 28 de julho daquele ano que flagrei a interação de uma banda de músicos baianos com este casal que parece estrangeiro.

A interação se traduz tanto na alegria estampada pelo sorrisão da mulher quanto no fato do homem de camisa verde, à direita, estar com uma baqueta percutindo o tambor. O local? O Largo do Pelourinho, em frente à Fundação Casa de Jorge Amado.

Desde ontem, estou participando com esta foto do concurso Street Photograph Awards 2017, da Lens Culture (veja a foto no site do concurso). O resultado será divulgado em setembro. 



14.7.17

Belezas Culturais: Sururu




Fotografei este painel no muro da Escola Estadual Professor Virgínio de Campos, no bairro da Ponta da Terra, aqui em Maceió, em 3 de julho. O painel foi pintado pelo artista Levy Paz, que aliás pintou o muro inteiro da escola, tanto no lado da rua Senador Firmino de Vasconcelos quando do da rua Geraldo Patury Accioly. 

A palavra sururu vem do tupi, onde é um verbo significando "vazar, derramar". Em português tem duas acepções: em boa parte do Brasil, notadamente no Sudeste, significa confusão, bagunça. Já no Nordeste, é o nome de um molusco bivalve, ou seja, que vive inserido entre duas conchas, do mesmo modo que a ostra. 

O sururu é um prato encontrado na culinária de Pernambuco, Bahia, Maranhão, Sergipe e Alagoas, estado que desde 2014 considera esta iguaria um Bem Cultural de Natureza Imaterial. Uma das estações do Sistema de Trens Urbanos de Maceió se chama Sururu de Capote; também assim se denomina uma comunidade localizada no bairro Vergel do Lago.

O sururu é de capote quando o molusco é preparado e servido ainda na casca. Outras formas de preparo são o sururu no coco, o arroz de sururu, o caldo de sururu e a moqueca de sururu (esta mais comum no Espírito Santo). 


13.7.17

Fotografia é produto ou serviço?

Há alguns meses, uma cliente me perguntou quanto custava o meu pacote de ensaio fotográfico. Quatrocentos reais, respondi, esclarecendo a seguir que ela receberia todas as fotos produzidas, sem limite. Ah tá, mas eu quero só umas sete fotos, assim assim assado, ficaria quanto?, quis saber ela. Fiz algumas perguntas para entender bem o que ela queria, e orcei em R$ 250. Evidentemente que ela de imediato fez duas contas: a de que por "apenas sete fotos" eu cobraria mais que a metade do valor do ensaio, e de que ela estaria pagando mais de R$ 35 por foto. Concordei que, matematicamente, ela estava certa, mas que a questão não era esta. A questão é que, quisesse ela 7 ou 70 fotos, da mesma forma eu precisaria estar com o equipamento carregado, ficando X horas à disposição dela, mais aproximadamente Y horas editando o material, e que nem em sonho eu faria apenas 7 cliques - a chance de todos eles saírem "geniais" é tão mínima que pode ser considerada nula.

Evidentemente esta não foi a primeira (nem a última) vez que isto aconteceu, o que tem me feito pensar a respeito do assunto. Concluí que há um certo descompasso entre o que os clientes esperam (produto) e o que o profissional da fotografia entrega (serviço). 

Hã? Hein? Como assim? Já explico.

Senta que lá vem história.




Tradicionalmente, a economia foi sendo estruturada pelo ser humano com base em produtos. Antigamente, mesmo antes de existir dinheiro, se fazia o escambo: um agricultor trocava parte da produção dele de trigo por algumas cabeças de gado de um fazendeiro vizinho, ficando este com trigo para fazer seu pão e o outro com carne para comer e couro para vestir ou fazer tapetes. A criação do dinheiro gerou um parâmetro confiável de troca, já que ficava difícil a cada vez decidir quanto trigo equivalia a quantas reses. A população também ia aumentando, e com ela surgindo novas demandas e as especializações das funções. Em vez do pecuarista receber trigo em troca de seu gado e ele mesmo ter que fazer seu pão, ele passou a receber dinheiro, com o qual ia à padaria adquirir pães (neste parágrafo estou resumindo alguns milhares de ano de evolução da Economia, ok? Claro que o processo todo foi bem mais complexo).

Beleza, então o pecuarista quando compra pão está adquirindo um produto, não é? Sim e não. Ou, melhor dizendo, ele está adquirindo um produto também. Inseparavelmente, ele também está pagando por um serviço. Se antes o pecuarista recebia trigo como escambo e ele mesmo fazia seu pão, agora está pagando para alguém - o padeiro - que vai atrás de trigo bom e a um preço razoável para fazer pão quentinho de hora em hora ao longo do dia. Sendo grande a demanda, só o padeiro e sua família não dão mais conta de tocar a padaria sozinhos, e então o padeiro precisa contratar outras pessoas que façam pão, cuidem do caixa, entreguem pão na vizinhança etc etc. Então o pecuarista, você, eu, todo mundo que compra pão está pagando pelo pão (produto) + pelos serviços que o padeiro nos presta (resumidamente, gerir todo esse sistema que nos garanta que a qualquer hora que cheguemos a seu estabelecimento haja pão quentinho), e no fim de tudo isso o padeiro ainda precisa ter lucro, do contrário não conseguirá manter essa roda girando. 


Então, a rigor, em quase tudo o que a gente compra está incluído o fator serviço. Algumas vezes ao serviço está acoplado um produto, ou seja, um objeto. Como não faz mais que quinze, vinte anos que a cultura digital passou a ser forte em nosso mundo, é natural que, ao efetuar um pagamento, boa parte das pessoas (ainda) espere receber algo material. Penso que este é um dos fatores que levaram à volta dos discos de vinil (os LPs) ou mesmo a explicação da longevidade da preferência pela foto em papel (já abordada antes neste blog). 

É fácil entender o raciocínio da minha cliente, descrito no parágrafo de abertura deste texto. Antes de haver fotos digitais, você tinha que revelar todas as poses de um filme (havia os de 12, 24 e 36 poses) e o cliente escolhia quantas queria, e eventualmente se queria mais de uma cópia de determinada imagem, e aí o fotógrafo voltava ao laboratório para encomendar (ou eventualmente ele mesmo revelava). Eu mesmo trabalhava assim até por volta de 1993.


Esta cultura era tão forte que, mesmo na fase da foto digital, eu segui raciocinando nesses termos por algum tempo. Cheguei a fazer centenas de fotos de um show e levar ao artista para que ele escolhesse as fotos com as quais iria ficar - o que significa que precisei antes editar as centenas de fotos. Ou seja, eu mesmo seguia pensando em termos de produto. Esta experiência, e outras, acabaram me mostrando que o correto é tratar o trabalho de um fotógrafo como serviço. Não faz sentido ir cobrir um show, contratado pelo artista que o realiza, e depois vender as fotos individualmente para ele - sendo uma encomenda, você nem pode oferecer estas fotos para outra pessoa. 

Parei então de pensar em termos de fotografia como produto e passei a me considerar como um prestador de serviço. Tanto que informo no post de como encomendar um ensaio comigo que a entrega das imagens se dará em formato digital; se o cliente preferir outro modo, que gere custos - por exemplo, que as fotos sejam impressas e dispostas num álbum -, terei que acrescentar estes custos ao valor orçado.

Pensando bem, como em praticamente todos os casos o fotógrafo produz as imagens especialmente para o cliente, hoje em dia só faz sentido pensar na venda de foto como produto se o cliente quiser adquirir fotos do acervo que o fotógrafo já possui (o que, convenhamos, é raríssimo. De todo modo, se alguém tiver interesse, as fotos que ilustram o post - todas da minha primeira passagem por Maceió, no ano passado, e inéditas até agora - estão à venda =)




10.7.17

Belezas Naturais: Um dia na praia em Maceió

Desde minha chegada a Maceió, há onze dias, hoje foi o primeiro dia de sol valendo (ontem não choveu, mas o tempo ficou nublado o dia todo). Claro que eu não tinha como saber disto já de manhã cedo, então fiz o que tenho feito em situações semelhantes: ao menor sinal de sol, correr com a Nikon S3500 para a praia! Nas vezes anteriores, a trégua da chuva ia só até o meio-dia, ou começo da tarde (numa espantosa semelhança com o clima de Belém no verão amazônico), mas hoje foi diferente.

Aliás, hoje foi muito diferente, e vou procurar resumir isto neste post. Pra começar, nunca vi a maré tão baixa nas praias da Pajuçara e da Ponta Verde como hoje. Tão baixa que era possível caminhar no mar, gerando o que um senhor vindo de Caruaru (PE) definiu para mim como sendo a travessia do Mar Vermelho



Até um cãozinho foi levado a passear dentro do Oceano Atlântico.


Pouco depois, passei pelo letreiro Eu <3 Maceió, surpreendentemente sem ninguém (quase sempre há alguém fazendo selfie lá). Como não havia ninguém, fiz então a minha junto ao <3

Aproveitei para fazer uma rara imagem do letreiro sem ninguém, e nisso um casal com um bebê chegou e pediu para eu fotografá-los com o celular deles. Missão dada, missão cumprida! 

Avançando mais pra perto do farol da Ponta Verde, resolvi atravessar a rua pra conhecer melhor a Praça Gogó da Ema. Pro post não ficar gigantesco, eu vou postar as fotos da praça outro dia, já que até onde sei não houve nada de diferente hoje na praça, não na proporção do que houve nas duas praias. 

De todo modo, segue um 'aperitivo': uma visão de baixo pra cima do Memorial Gogó da Ema, com aves planando acima dele (retornei à tarde e pelo visto as aves, cuja espécie não consegui identificar, planam sobre a praça o dia todo). 



Devo dizer que a esta altura (11h15) eu já estava satisfeito e achando que a manhã tinha rendido, quando olhei pro lado do farol e me espantei ao ver o que pareciam ser enormes corais junto à areia (ok, a praia chama Ponta Verde por causa do acúmulo de corais ali, mas pareciam ser muito mais do que o normal)... e também o estranho fato de que as pessoas estavam caminhando sobre os "corais"! Fui conferir e na real não era nada daquilo: em função da maré estar baixa, as rochas que geralmente ficam submersas estavam aparentes, e era sobre elas que as pessoas estavam caminhando - possivelmente o mesmo que estava acontecendo também na Pajuçara, só que lá a água não estava tão baixa. 

Corais? Não...

...rochas!

Aí eu olhei pro farol, percebi como ele estava próximo, notei pessoas andando bem junto dele e me pareceu ser possível chegar até lá sem maiores problemas. Resolvi encarar o desafio. Já pensou que massa tirar uma selfie no farol??



Foi emocionante caminhar sobre as rochas ladeando as "piscininhas" (como ouvi uma senhora chamando) e podendo ver os peixinhos (e cuidando pra não pisar neles - risos).


Mas eis que percebi algo na água que me fez descartar a ideia de chegar no farol. Os ouriços! Mais exatamente os ouriços-do-mar pretos, cujos espinhos são venenosos.

Bonitinhos mas venenosos

Que pena, farol, nunca estivemos tão perto, mas.... .... ....

Na volta pra areia, consegui fazer um caminho apenas sobre as rochas - na ida, cheguei a pisar dentro d'água, ainda num trecho pré-ouriço. 

  • À tarde, a maré encheu, o mar ficou revolto, e os trechos que eu fotografei pela manhã estavam completamente diferentes. Comparem:

Praia da Pajuçara

Praia da Ponta Verde