8.8.16

Belezas Culturais: Luis Fernando Verissimo e Chico Buarque



No espaço de três dias no mês de agosto de 1999, estive no mesmo ambiente que Chico Buarque nada menos que três vezes. O artista incluíra Porto Alegre no roteiro do show do CD As Cidades, lançado no ano anterior. Fui com minha mãe ao último show na cidade, em 15 de agosto (a terceira das vezes).

As outras duas vezes foram dois dias antes, em 13 de agosto, uma sexta-feira. Se esta combinação configura de fato azar, isto não aconteceu - ao menos não comigo - naquela data. Ocorre que Porto Alegre teve o privilégio de contar com um evento adicional à turnê: um debate público entre o autor de "Apesar de Você" e o escritor Luis Fernando Verissimo, no Teatro Bruno Kiefer da Casa de Cultura Mario Quintana (CCMQ). (Curiosidade: engana-se quem acha que, sendo ambos filhos de escritores e tendo carreiras longas e bem-sucedidas em suas respectivas áreas, Chico e Verissimo já se considerassem grandes amigos antes deste encontro público em Porto Alegre - nesta crônica publicada na véspera Verissimo justifica porque só então poderia dizer enfim "Muito prazer" ao Chico). 

Chico e Verissimo falaram de música, literatura e vários outros assuntos, só vetando perguntas da platéia relativas a futebol (seus respectivos clubes do coração, Fluminense e Internacional, não viviam exatamente bons momentos em 1999). Os dois se mostraram tão bem-falantes que uma das perguntas do público foi justamente de onde viria a fama que os dois têm de serem tímidos...

No momento que fiz a foto com minha Zenit (analógica, de filme), Chico (de óculos) lia a crônica "O Ovo", de Verissimo (leia aqui); também aparece na foto Ben Berardi, diretor da CCMQ à época. Em seguida, o criador do Analista de Bagé retribuiu lendo um trecho do livro Fazenda Modelo, que Chico lançara em 1974. 

A foto não é a única que ainda tenho dessa memorável data. Mas é a única que já foi publicada - no dia dos 70 anos de Chico, divulguei-a no blog Jornalismo Cultural, contando com mais detalhes este famoso debate. À falta de scanner à mão, fotografei a cópia em papel com a Canon T3i Rebel. Para republicá-la aqui neste blog, apenas apliquei um filtro Sunset, que realçou as cores da imagem original. 

Enfim, o debate foi, como eu disse, a primeira das três vezes que estive no mesmo ambiente que Chico, sendo o show o terceiro. E o segundo? Foi o rápido momento em que vi o cantor sair da CCMQ e entrar num táxi que, excepcionalmente, pudera entrar pela Travessa dos Cataventos (uma via que passa por dentro da Casa de Cultura e normalmente vetada ao trânsito de veículos). Para quem acompanhara o debate, não foi surpresa ver Chico bem animado e conversando com algumas crianças que o abordaram, afinal ele nos revelara pouco antes não ser nada tímido! 



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