23.3.17

Ensaio de março: Janaína Santana (2)



Há alguns dias - pra ser mais preciso, no sábado, 18 - encontrei a foto que abre este post nas Lembranças do Facebook e a publiquei no Instagram, com a legenda "A sereia e o rio". Trata-se de uma imagem do ensaio que fiz com Janaína Santana há um ano, durante a campanha Vamos Sonhar Juntos, mas que havia ficado de fora da seleção que fiz para o Ensaio de Julho, que ela assinou com o sobrenome "Rodriguês".

Rever o álbum completo das 40 fotos entregues a Janaína me animou a pedir sua autorização para publicar novo ensaio no blog e no YouTube. Felizmente ela aceitou, assim posso dividir com vocês mais estas imagens de um dos sorrisos mais lindos que já vi.




As fotos foram feitas em 12 de março de 2016, no Parque do Forte (Macapá), popularmente conhecido entre os macapaenses como "Lugar Bonito". Em suas proximidades, estão localizados a Fortaleza de São José (que vemos na foto ao lado) e a orla central do Rio Amazonas (que aparece na abertura do post e na foto logo abaixo). 


A foto acima foi publicada em 18 de março de 2016 por Janaína em seu Facebook pessoal, acompanhado deste trecho de Fernando Pessoa: 

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver, 
acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao mundo 
e maior amor ao coração dos homens". 
















  • Veja o ensaio no YouTube:




22.3.17

Vídeo: Exposição As Tias do Marabaixo - Belém, 2017



Publiquei ontem no YouTube este vídeo-convite para minha exposição As Tias do Marabaixo, em cartaz até o dia 12 de abril na Galeria Theodoro Braga, em Belém. (Saiba mais clicando aqui).

O vídeo inclui todas as 18 fotos da exposição e tem como trilha sonora um trecho de "O Remo", ladrão de Marabaixo composto e interpretado por Tia Zezé, uma das homenageadas do projeto. 

Eu já havia utilizado o início de "O Remo" nos créditos finais do curta Tia Zezé no Encontro dos Tambores, de 2015, que assim como os outros quatro filmes da série "As Tias do Marabaixo", está em exibição contínua na Galeria durante o período da exposição. 

21.3.17

Modelo da Semana: Bruna Xavier (2)



Hoje é o dia dela! Bruna Xavier, esta pessoa maravilhosa por dentro e por fora, completa nesta terça 17 anos. 

A foto que ilustra este post é inédita e foi feita em 7 de agosto de 2016 no Horto Florestal de Rondonópolis (MT), cidade em que Bruna nasceu e morava na ocasião (atualmente, reside em Santa Fé do Sul, SP). Nesse dia, fizemos uma das sessões do Ensaio de Agosto do blog, estrelado por Bruna (confira aqui).

Gosto nesta foto da espontaneidade da modelo, da forma livre como se permite brincar com os elementos da paisagem. O frescor que ela consegue transmitir em cada imagem onde aparece me dá a certeza de que Bruna Xavier tem pela frente um futuro tão belo quanto ela própria. 

Parabéns, Bruna! 


13.3.17

Belém: Exposição "As Tias do Marabaixo" fica em cartaz até 12 de abril



A partir do dia 15, o público de Belém poderá conhecer As Tias do Marabaixo. A abertura será nesta quarta, a partir das 19h, com entrada gratuita. 

A exposição reúne 18 fotos que fiz ao longo das filmagens do meu documentário também intitulado As Tias do Marabaixo, em 2014. Parte do material filmado deu origem, no primeiro semestre de 2015, a cinco curtas-metragens, cada um dedicado a uma das homenageadas.

A atual mostra é o maior evento já realizado com material do projeto e representa nossa homenagem a todas as mulheres no mês a elas dedicado.

O projeto -  O projeto As Tias do Marabaixo visa preservar e difundir a memória do Marabaixo, tradição cultural afro-amapaense. Nos meses de maio e junho de 2014, gravei em Macapá (AP), entrevistas com as principais figuras históricas do Marabaixo - Tia Chiquinha, Tia Zefa, Natalina, Tia Zezé e Tia Biló -, todas consideradas memórias vivas de suas comunidades. Tia Chiquinha faleceu em fevereiro de 2015, aos 94 anos.

Entre agosto de 2014 e novembro de 2016, fotos e curtas foram exibidos nos estados do Amapá, Bahia, Rio de Janeiro. Rondônia e Tocantins.

Além da exposição de fotos e dos curtas, o projeto abrange outros dois produtos: um livro de fotografias e um documentário de longa-metragem, ambos incluindo material captado entre 2013 e 2016, e sem data prevista para lançamento. O blog do projeto, lançado em 2014, já registrou mais de 8 mil acessos. 

Curiosidades:
  • As fotos exibidas em Belém serão as mesmas apresentadas na exposição realizada no Amapá Garden Shopping (Macapá) em setembro de 2014. Apenas duas imagens foram impressas agora em Belém, já que na exposição do Garden pude mostrar apenas 16 das 18 fotos.

  • Além de ser o maior evento ligado ao projeto desde 2014, esta é a maior exposição feita com material meu, e também a primeira vez que exponho sendo selecionado num edital. A dedicação começa a dar frutos :) 

11.3.17

Selfie com Oceano Atlântico



Ouvi por tanto tempo que nós, jornalistas, não somos notícias que resisti muito a ter um espaço na internet com meu próprio nome - este blog, criado em junho de 2016, foi o primeiro em 14 anos de webjornalismo. Pelo mesmo motivo, durante a idealização deste espaço, resisti um pouco a criar um espaço aqui para postar selfies e fotos feitas por colegas onde apareço; por fim, decidi fazer, na linha do Aprecie com moderação (risos). Mas acho que acabei exagerando na dose - as últimas selfies que postei aqui foram em outubro (!) - uma seleção das fotos que fiz com a modelo Suelen Leão em cada uma das nossas sessões de ensaios. 

Para marcar essa retomada, escolhi essa selfie que fiz em João Pessoa no dia 12 de junho de 2016, na praia do Cabo Branco (editada agora com o filtro Lorno do Instagram). Ao fundo, o Oceano Atlântico, o único oceano que conheço. 

Fomos apresentados em abril de 1980, quando fui à praia pela primeira vez. Minha mãe levou a mim e ao filho de uma amiga dela para Tramandaí (RS), no feriadão de Tiradentes, que naquele ano caiu numa segunda-feira. Foi também a primeira vez que ouvi a palavra feriadão

Só voltei a ver o oceano em fevereiro de 2007, ao participar da Feira da Música no Recife. Dali pra frente, temos nos visto mais seguido; ainda em 2007, Recife novamente, Salvador e Florianópolis Depois: Rio de Janeiro e São Luís (2012), novamente Rio e Salvador (2013), Salvador outra vez (2015), São Luís, João Pessoa e Maceió (2016). Fotos das viagens de 2013 e 2016 foram selecionadas para o Ensaio de Setembro - Oceano Atlântico, meu único ensaio publicado até agora que não é estrelado por uma pessoa. 


10.3.17

Belezas Naturais: Chuva de Belém



Na hora em que posto isto, chove forte há mais de uma hora sem parar aqui em Belém

A foto, uma das raras em que retrato a chuva (até porque, convenhamos, isso não é nada simples!), mostra um toró de grande quilate em torno de uma luminária na travessa Rui Barbosa, no bairro Nazaré. Foi feita na noite de 27 de fevereiro, segunda-feira de Carnaval, e postada pouco depois no meu Instagram, onde usei a seguinte legenda: 
Aquela chuva profissional
Segundo a Wikipedia, Belém ostenta o título de capital mais chuvosa do Brasil. Já de acordo com os habitantes, existem de fato duas estações em Belém: o verão, onde chove todo dia, e o inverno, onde chove o dia todo.
;D

9.3.17

26 anos de Fotografia

No final de fevereiro, completei dois anos de atividade como cineasta (a contar do lançamento do primeiro curta, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014) - recentemente contei essa história aqui no blog. E agora no começo de março, completo 26 anos de atividade como fotógrafo profissional. O marco inaugural é o começo do meu trabalho como repórter no jornal Semanário, de Bento Gonçalves (RS) - outra história já contada aqui.





 


Não há mais como saber a data correta; na minha carteira de trabalho consta a data de 4 de março de 1991, mas, assim como em todos os meus outros empregos registrados, foi lançada não a data em que efetivamente comecei a trabalhar na empresa, e sim a data em que o Departamento de Pessoal processou o registro (certa vez fiz uma estimativa e concluí que, em média, nesse processo o empregado geralmente perde 6 dias. Mas como você está iniciando uma relação de trabalho que espera ser duradoura, e até pelo medo de ser demitido, geralmente acaba deixando passar). 

Trabalhei no jornal durante três meses, fazendo reportagem geral e produzindo fotos para cada matéria, além de assinar uma coluna (geralmente uma crônica satirizando fatos do momento, ao estilo do que Carlos Eduardo Novaes fazia desde os anos 1970 no Jornal do Brasil). Ainda contratado do jornal, fiz um curso de iniciação à fotografia com Sergio Zanchetti, grande profissional bento-gonçalvense, já falecido. No mesmo ano, adquiri uma câmera Zenit (posteriormente comprei outra idêntica; doei ambas, há cerca de dez anos, à minha amiga e colega Ana Lira, de Pernambuco). Pouco tempo depois, ganhei de minha mãe minha primeira Canon. Com esse equipamento, fiz bastante coberturas de escolhas de rainhas de escolas de Bento. No período em que estudei Jornalismo na Unisinos (1990-94), tive como professor de Fotografia o renomado profissional porto-alegrense Rogério Soares. Cheguei a me registrar como fotógrafo no INSS para contribuir para minha aposentadoria - a contribuição durou um ano (1993-94), já que dependia da emissão de um alvará na Prefeitura de Bento, e o valor de renovação era proibitivo, numa época em que ainda existia hiperinflação no Brasil. 

Em 1994, voltei a morar em Porto Alegre, de onde saíra 18 anos antes, e praticamente me especializei em registrar as Belezas Culturais e Belezas Naturais da capital gaúcha, até aproximadamente 2002. A partir deste ano, com o lançamento do meu primeiro site, o Brasileirinho, o jornalismo cultural passou a ser a minha principal atividade pelos 13 anos seguintes. Embora eu nunca tenha parado de fotografar, na virada do século diminuí bastante a produção, pois se vivia uma fase de transição - a foto analógica perdia espaço para a digital, cujos custos ainda eram bastante elevados, mas por outro lado revelar um filme preto-e-branco já era quase inviável em Porto Alegre. 

A primeira vez que participei de uma exposição foi em 1992, durante o Encontro da Fotografia, realizado no Hotel Dall'Onder, em Bento Gonçalves. Embora o nome não indique, tratava-se de um concurso, onde você inscrevia sua foto para concorrer a uma premiação em dinheiro - no caso, minha imagem de um antigo casarão de Monte Belo, hoje município de Monte Belo do Sul, recebeu uma menção honrosa. Porém eu soube de um jurado do concurso, amigo de minha família, que minha foto quase ficara em primeiro lugar; parte do júri queria a minha foto e outra parte a que efetivamente foi premiada. Pela lógica, eu deveria ficar com o 2º lugar, não é? Porém ele me disse que eles foram fechando primeiro a premiação menor (já não recordo se o 5º, ou o 3º lugar), e depois escolhendo as restantes. De modo que quando a minha deixou de receber o 1º lugar, já havia outra definida como sendo a segunda colocada.

Já em 2000, realizei minha primeira exposição individual de fotos, intitulada Descobrindo a Cidade. As imagens selecionadas mostravam locais conhecidos da capital gaúcha, porém sob ângulos inusitados ou revelando aspectos desconhecidos de boa parte da população (o mote que até hoje trabalho sob o nome de Coisas do Mundo). A mostra foi realizada no saguão da Faculdade de Biblioteca e Comunicação (Fabico) da UFRGS, onde me formei em Jornalismo no ano seguinte. 

Infelizmente, conservei muito pouco da minha produção fotográfica do século passado. Parte se perdeu nas minhas inúmeras mudanças de residência, outro tanto foi doado a amigos quando saí de Porto Alegre para morar em Belém em 2010 - quando você atravessa o país, necessita levar o menor peso e/ou volume possível. Neste post você vê uma das fotos que sobreviveram, de 1999, registrando o debate de Chico Buarque com Luis Fernando Verissimo.

Meu acervo mais recente, mais especificamente a partir de 2005, foi conservado, por incrível que pareça.... graças às redes sociais! Gracias, Orkut, Flickr e Facebook! Inclusive, há algum tempo, cogitei de excluir minha conta pessoal do Facebook e criar outra, porém me dei conta de que desta forma perderia todas as informações relativas às fotos postadas. Manter a conta com certeza era bem mais simples que copiar todos os dados ;)

As imagens que ilustram este post são fotografias de cartuns meus produzidos a partir de fotos . A que abre o post representa a Usina do Gasômetro, hoje um centro cultural que funciona em um prédio que abastecia Porto Alegre de energia elétrica. O cartum é de 1999 e participou de uma exposição na Câmara de Vereadores.

Já o cartum que fecha o post representa o Desfile Farroupilha, tradicional evento que acontece todo dia 20 de setembro, marcando a data em que Porto Alegre foi tomada pelos farrapos em 1835. Representei o trecho do desfile que passa pelo Viaduto dos Açorianos, tendo ao fundo o prédio do Centro Administrativo do Estado, informalmente chamado pelos gaúchos de delírio dos skatistas. É um desenho de 2000. 






8.3.17

Mulheres protagonistas

Eu com Tia Chiquinha
- Curiaú, Macapá, 7.5.14
(Foto: Graphite Comunicação)


Há exatos dois anos, em 8 de março de 2015, lancei meu segundo curta-metragem. Intitulado Tia Chiquinha, homenageava a matriarca do Curiaú, falecida apenas 18 dias antes, em plena Quarta-Feira de Cinzas (na foto acima, estamos os dois, ao final da entrevista que gravei com ela para o meu documentário inédito As Tias do Marabaixo). Já falei recentemente de Tia Chiquinha aqui no blog, quando sua partida deste mundo completou dois anos. Se volto ao assunto, é para registrar uma reflexão que me ocorreu esta noite, quando pensava no que eu poderia postar no blog sobre o Dia Internacional da Mulher. 

Constatei que, dos meus sete filmes já lançados de 2015 para cá, TODOS são protagonizados por mulheres. Os cinco primeiros foram dedicados às Tias do Marabaixo. O sexto, Você é África, Você é Linda, a única ficção até o momento, tem duas mulheres falando sobre um drama infelizmente nada fictício - o racismo, traduzido no bullying sofrido por mulheres afrodescendentes que assumem seu cabelo com os cachos e crespos naturais, saindo portanto do "padrão" do cabelo liso. E o mais recente, Vê se Vê, traz a Poeta Amadio recitando. 

A predominância de mulheres afrodescendentes em minha cinematografia não foi algo planejado. Mas posso considerar o fato uma consequência direta da minha formação. Minha mãe, filha de negro com alemã, sempre me relatou as dificuldades que enfrentou por ser uma mulher mestiça num meio social machista e racista. Talvez fazer estes filmes seja uma forma de honrar seu legado e animar outras mulheres a prosseguirem nesta luta. 




4.3.17

Belezas Culturais: O menino e os tambores



Em 2 de março de 2015, publiquei em meu Facebook pessoal esta foto, com a seguinte legenda:

Menino observa o aquecimento dos couros dos tambores de batuque - Encontro dos Tambores, Macapá (AP), 21.11.14 

 "É preciso a atitude de assumir a negritude pra ser muito mais Brasil" (Luiz Carlos da Vila)

2.3.17

Post nº 200: Dois anos de Cinema

No domingo, 26, completaram-se dois anos do lançamento no YouTube do meu primeiro curta-metragem. Ou seja, a rigor, são dois anos de minha atividade como cineasta. É evidente que, numa arte como o Cinema, a confecção da obra antecede (às vezes de muito) a sua comunicação ao público, mas também não há dúvidas de que um filme, ou qualquer obra de arte, só se realiza de fato quando encontra espectadores dispostos a apreciá-lo. 


Exibição do filme Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014 
em Paraíso (TO) - 22.7.15
(Foto: Cláudio Macagi)


Meu primeiro filme lançado, Tia Zefa no Dia da Consciência Negra 2014, fora filmado pouco mais de três meses antes do lançamento - mais exatamente em 20 de novembro de 2014, no Centro de Cultura Negra do Amapá, em Macapá. Este curta inaugurou a série "As Tias do Marabaixo", que abrangeu mais quatro filmes (Tia Chiquinha, Tia Biló, Natalina e Tia Zezé no Encontro dos Tambores). Ainda em 2015, rodei o sexta curta, Você é África, Você é Linda, em Jequié (BA). O sétimo filme, um nanometragem (filme cuja duração é menor que 1 minuto), foi disponibilizado há apenas nove dias: Vê se Vê, produzido em Porto Velho em 2014 e o único lançado no Vimeo. 

Sete filmes em dois anos me parece um saldo extremamente positivo, ainda mais se considerar que todos são totalmente independentes, sem financiamento público ou privado para sua realização (como costumo brincar, são "100% Meu Bolso Produções"). De toda essa safra, os mais vistos são os da série "As Tias do Marabaixo", que além de inúmeras exibições em Macapá entre 2015 e 2016, foram apresentados também ao público de Paraíso (TO), Salvador e Porto Velho. Houve ainda exibições para os participantes da minha Oficina de Cinema Independente, que teve duas edições até o momento - Jequié, 2015 e Belém, 2016. Em breve, deverão acontecer novas apresentações, já que o projeto foi selecionado em editais para exibição este ano em Belém e Porto Alegre. O curta Tia Biló abriu a Mostra Cine Redemoinho em Angra dos Reis (RJ) em novembro passado. 

A própria Oficina de Cinema, bem como o lançamento de seu texto-base (Cinema Independente) como e-book, é um desdobramento natural do meu trabalho como cineasta. Não basta produzir e exibir, é preciso deixar um legado - o que aprendi com o produtor cultural André Donzelli, o Porkão, grande agitador cultural de Palmas. 

Mas, ok, efetivamente são dois anos do primeiro lançamento. O que eu nunca contei antes foi que minha ideia de fazer cinema não começou quando decidi iniciar o projeto "As Tias do Marabaixo", em abril de 2014. O primeiro projeto de filme que escrevi foi em 2005, num edital do Prêmio Odebrecht de Pesquisa Histórica Clarival do Prado Valadares. O edital contemplaria o financiamento de uma pesquisa, com pelo menos um desdobramento obrigatório (a publicação em livro), porém o proponente ficava livre para sugerir outros produtos derivados. Propus então contar a história do Barra 69, como ficou conhecido o show da despedida de Caetano Veloso e Gilberto Gil, em julho de 1969, quando a ditadura militar os obrigou a deixar o Brasil. Caetano e Gil foram acompanhados no show realizado no Teatro Castro Alves (Salvador) pela banda Lief''s, integrada por, entre outros, os irmãos Pepeu e Jorginho Gomes; consta que ao final do show Pepeu foi oficialmente convidado por Moraes Moreira e Galvão para fazer parte dos Novos Baianos. O projeto se chamaria "Aquele Abraço (Barra 69)" - Gil gravou o samba "Aquele Abraço" na véspera de partir para o exílio, e lançou a música no show. 

Até onde eu saiba, nunca houve um livro no Brasil dedicado a falar de um único show (e, como meu projeto não foi aprovado, continua não havendo - risos). Pois bem: além do livro, resolvi incluir no projeto a realização de um longa-metragem de animação contando a história do show! Um projeto relativamente caro, que de fato só poderia ter sido feito caso eu houvesse vencido aquele edital. Lembro que cheguei a comentar o projeto com o próprio Gil, então ministro da Cultura, na reunião que tivemos no Teatro Apolo, no Recife, em fevereiro de 2007. Também falei dele a Moraes Moreira, quando o entrevistei por ocasião de sua apresentação na Feira do Livro de Porto Alegre de 2008 (inclusive Moraes me disse que ele e Galvão já sacavam o Pepeu antes desse show). Enfim, hoje sei que o projeto não só seria muito caro como envolveria um mar de autorizações de pessoas vivas e de herdeiros de pessoas já falecidas, sem falar nos direitos autorais da trilha sonora (minha ideia era usar como base o LP Barra 69, com o áudio de parte do show). 

Agora, a considerar o depoimento de minha mãe, minha vontade de fazer cinema vinha de muuuuito antes de 2005. Lembro que, quando lhe contei do projeto Barra 69, ela recordou uma fala minha ainda muito pequeno, da qual realmente eu não me lembrava, dizendo algo no estilo "Mãe, quando crescer eu quero fazer cinema!". E ela acrescentou que me ouviu e não respondeu, mas ficou pensando: Mas cinema é uma coisa tão cara, como é que a gente vai fazer? 

:)